Visita à Terra d´Alter

O projecto Terra d’Alter, nasce de uma parceria entre a Sociedade Agrícola das Antas, a Sociedade Agrícola do Monte Barrão, duas empresas com grande tradição agrícola na região de Portalegre e o enólogo australiano Peter Bright,a viver em Portugal desde 1982. A Terra d'Alter, utiliza uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora em alguns casos recorra a outros produtores do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas. O objectivo passa sempre por lançar no mercado vinhos alentejanos de excelente qualidade, sendo os mercados alvo, para alem de outros, a Europa e Estados Unidos. Começamos a visita com uma ida às vinhas e uma explicação do Peter Bright e depois fomos conhecer toda a adega e realizar uma prova vertical de cinco vinhos. Segui-se uma prova directamente das barricas antes do almoço gentilmente oferecido pelo produtor e realizado em plena adega. Eis os vinhos que mais gostei e as respectivas notas de prova: 

Terra d’Alter Reserva Branco de 2008

 Vencedor do prémio de melhor Vinho Branco Português no International Wine Challenge Trophy, este vinho é feito sobretudo de viognier (80%), sendo a parte restante arinto. No nariz revela muitos frutos tropicais, ananás, coco e pêssego, com algumas notas a baunilha. Na boca é um vinho poderoso, com grande volume, que se distingue pela sua boa acidez e frescura, revelando boa persistência no final. O seu preço anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 91 pontos.

Terra d'Alter Reserva Tinto de 2009

 Medalha de ouro no Great International Wine Award MUNDUSvini 2010 e no Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados do mesmo ano, estagiou durante 18 meses em barricas de carvalho americano, tem uma cor rubi profunda, um aroma intenso a fruta preta madura, revela um boa acidez, é volumoso, na boca é macio, tendo um final fresco, prolongado e suave com notas a chocolate e tosta. O seu preço anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 89 pontos.

Terra d´Alter Alicante Bouschet de 2008

De cor vermelha intensa com aromas doces, fruta preta, cacau e especiarias. Tem boca de excelente acidez, taninos firmes , bem presentes e redondos, muito bem feito e interessante. O final é cremoso, prolongado e persistente. O seu preço anda à volta dos 9 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 90 pontos.

Telhas de 2008

Vinho super interessante, elaborado com 95% de casta Syrah e os restantes 5 % de Viogner, provenientes da Herdade das Antas com um estágio de 18 meses em barricas de carvalho americano. De cor rubi profunda, aroma intenso a tosta, pimenta, groselha e um leve mentolado. Depois tem uma boa estrutura,  taninos suaves e termina bem fresco e longo. O seu preço anda à volta dos 18 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Outeiro de 2009

Eis o melhor de todos os vinhos provados. Elaborado a partir de uvas da casta Syrah e Petit Verdot, provenientes da Quinta da Boa Vista, o estágio em barrica foi encurtado para 14 meses. É um vinho de cor rubi opaca, com um aroma intenso a frutos silvestres, elegante, cheio de boa fruta, daqueles que não deixa de dar nas vistas por onde quer que passe. Tem um corpo volumoso, taninos firmes e finos, um final muito longo e bem persistente. O seu preço anda à volta dos 22 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

PS: O Peter Bright que aposte num estreme de Tinta Caiada ! ;)


Quinta dos Termos Reserva 2005

De cor rubi, com carácter, este tinto é produzido em plena Beira Interior com castas Syrah e Touriga Nacional. Depois tem um aroma austero com muita fruta preta, compotas e ameixas, taninos firmes e fortes, nota-se que ainda pode crescer em garrafa. A barrica está presente e bem integrada. É daqueles vinhos que chama mesmo por comida.O seu preço anda à volta dos 7 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 88 pontos.

Quinta do Pouchão 2010

Ora aqui está mais um belíssimo vinho de Tejo ! Saído das mãos da Sociedade Agrícola Ouro Vegetal, Lda, criada em 2004, tendo como objectivo a produção e comercialização de azeites de grande qualidade, este vinho é oriundo de vinhas velhas plantadas na região de Alferrarede, Abrantes e onde predominam as castas Castelão e Trincadeira, podendo ainda encontrar uvas Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon. No copo a cor granada intensa encanta desde logo e no nariz sobressaem as notas complexas a frutas silvestres vermelhos e pretos, com presença na madeira onde estagiou, apresenta sabor persistente de aromas e especiarias, com uma madeira muito bem integrada. No paladar revela uma acidez firme, taninos finos, aveludados e redondos que lhe conferem um excelente equilíbrio e um longo e elegante final de boca.A este preço e com esta qualidade, comprem já todas as garrafas que conseguirem encontrar no mercado. O seu preço anda à volta dos 6 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Castello D'Alba Vinhas Velhas Códega de Larinho de 2009

Ora aqui está um grande vinho do produtor Vinhos do Douro Superior. Um vinho saído das mãos do enólogo Rui Roboredo Madeira, muito bem feito, 100 % de uvas Códega do Larinho provenientes de vinhas velhas plantadas a mais de 500 mts de altitude no Douro Superior e com "batonnage" em barricas usadas de Carvalho Francês. Apresenta uma cor amarelo citrino de tonalidade levemente esverdeada, no nariz destacam-se os aromas complexos de onde sobressaem os citrinos, os frutos tropicais e algum mineral. Na boca é um vinho eloquente, com grande volume, que se distingue pela sua boa acidez, amplitude e frescura, revelando grande persistência no final. O seu preço anda à volta dos 10 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Pinhal da Torre - IPO

 Eis um dos melhores vinhos lusos e por isso, até, um vinho algo difícil de descrever ! É um vinho distinto, elegante, imponente, encorpado, texturado, austero, estruturado, bem equilibrado na doçura e na acidez, com um final interminável. Fruta preta muito bem definida e integrada, notas tostadas e baunilha, resinas e minerais, com uns taninos notáveis de força, poder e elegância. O seu preço na loja anda à volta dos 120 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 98 pontos.

Quinta do Javali - Reserva de 2009

A Sociedade Agrícola Quinta do Javali é uma empresa familiar fundada em 2000 com o objectivo de produzir e comercializar os seus próprios vinhos DOC Douro e Porto.Este vinho fantástico, de cor vermelha intensa, de roma austero, com amplas notas de arbusto, frutos vermelhos macerados, compota, baunilha e especiarias. Na boca acentua-se o perfil de um Douro clássico, com taninos maduros e sólidos, cheio de caracter e vigoroso, com um final longo e persistente. De forma bem integrada, surgem as notas tostadas da barrica de grande qualidade, conferindo um carácter guloso, com aromas de brioche.A minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

Pinhal da Torre

No passado dia 19 de Novembro, uma vez mais a convite do produtor Paulo Saturnino Cunha, voltei a ter o prazer de fazer parte do grupo que visitou as instalações da Pinhal da Torre (que conta com a Quinta de São João de 22 hectares e a Quinta do Alqueve de mais 36)e onde se produzem vinhos desde 1947. Depois de uma visita guiada pelo próprio Paulo Saturnino Cunha começámos as provas, sempre com a ajuda do enólogo consultor, o australiano Russell Burns. No final da prova, deu-se início ao repasto gastronómico constituído por uma saboroso porco no espeto acompanhado pelos vinhos da Pinhal da Torre. De todos os vinhos provados (e foram muitos mesmo), destaco duas enormes surpresas de 2009. Em primeiro lugar o Quinta de São João - Syrah e o Special.

É um Syrah pujante este ! Mais um vinho enorme do Paulo Saturnino. Aroma cativante cheio de intensidade com caramelo, baunilha, canela, cereja, algum tabaco e elementos tostados a dissolverem-se por entre o fruto preto e as nuances florais. No palato é elegante e equilibrado, com taninos firmes, cheios de qualidade. Um vinho feito num "estilo australiano", muito guloso, com excelente na acidez, um final redondo e longo, onde tenho a certeza que com o passar dos anos em garrafa ainda irá melhorar. A minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

Special: Que vinho dos deuses ! Feito de  Syrah, Touriga Nacional e Merlot, estamos perante um vinho único, cheio de qualidade, vigor, finesse, harmonia, elegância e frescura, muito bem estruturado. De cor rubi intenso com reflexos violáceos que chamam a atenção, este vinhão possui aromas intensos a frutas vermelhas, uma boca leve, muito frutada e macia.Sem sombra de qualquer dúvida, o segundo melhor vinho desta casa, depois do memorável IPO. A minha classificação pessoal fixa-se nos 97 pontos.

Quinta da Lapa Syrah + Touriga Nacional de 2009

Localizada na Região com Denominação de Origem “Tejo”, na zona do Bairro (solo argilo-calcário), estão plantadas as castas Periquita; Trincadeira Preta; Touriga Nacional; Merlot; Tinta Roriz; Syrah; Cabernet Sauvignon para vinhos tintos e as castas Arinto e Trincadeira das Pratas para vinhos brancos. O enólogo residente é o Engº Carlos Sardinha e teve a ajuda de Jaime Quendera. A Quinta da Lapa produz vinhos desde 1744 e actualmente  dá continuidade a essa produção através de processos modernos e inovados tecnologicamente. Este Bi-Varietal 2009 ganhou uma medalha de Prata no "Concours Mondial de Bruxelles" e é um vinho rubi com tons violáceos com aroma a frutos vermelhos maduros e ligeiras notas a especiarias, ameixa seca e chocolate. Depois é envolvente, cheio de corpo com taninos redondos e estrutura mediana. Alguma complexidade e persistência. O seu preço na loja anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 87 pontos.

Visita à Quinta das Casas Altas

Recentemente tive a oportunidade de visitar a Quinta das Casas Altas em Casével, perto de Santarém, propriedade da família Gaspar, com as vinhas plantadas em terrenos argilo-calcários de encosta no coração do Ribatejo. A ideia dos donos da mesma é a de produzir vinhos de qualidade tirando proveito das condições geológicas e climáticas, simultaneamente com respeito pelas riquezas naturais, história e ambiente únicos da região. Em cerca de 24 hectares podemos encontrar o syrah, o cabernet sauvignon, a touriga nacional, o castelão, a trincadeira, o arinto, o fernão pires, o chardonnay e o moscatel. Dos vários vinhos provados na companhia dos donos da Quinta e da enóloga Teresa Nicolau, o meu destaque vai para dois vinhos enormes. Um branco e um outro tinto. O Quinto Elemento Arinto 2010 e o Quinto Elemento Syrah 2009.

O Quinto Elemento Arinto de 2010 tem 13% e um nariz divinal, vibrante, fino e atractivo. Na boca sobressaiem sabores de frutos maduros cristalizados, lima, toranja e manga. É todo ele redondo, com uma leve secura aveludada num comprido, delicado e algo irreverente final. O seu preço na loja anda à volta dos 6 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 93 pontos.

Quinto Elemento Syrah de 2009 tem 14% é um vinho enorme, completa e apaixonadamente redondo, com uma tonalidade granada/violácea impressionante. Aroma de Syrah maduro, sugestões de compotas de amoras, ameixas pretas, moca, pimenta, chocolate negro, folhas de louro mergulhadas em água, tudo muito bem arrumado e devidamente contido. Um vinho que cresce na boca, com taninos de seda bem estruturada, com muito fruto de qualidade, revelando-se um vinho mítico, sedutor, provocador e cativante na sua frescura e equilibrio. De final intensamente longo devido à presença de infatigáveis taninos. Em suma, eis um vinho que vai dar muito que falar pois reúne todas as condições para se tornar num vinho de culto em Portugal ! Atenção a duas coisas. Não conheço muitos Syrahs assim no Mundo e apenas foram produzidas cerca de 1500 garrafas numeradas. O seu preço na loja da quinta andará à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 97 pontos.

Quinta do Vale do Armo

Aqui estou eu para vos falar de uma grande manhã passada na Quinta do Vale do Armo, situada perto do Sardoal, famosa pelas suas janelas floridas, e por conseguinte denominada Vila Jardim, tendo como cicerones, o Tiago Alves e a Sara Remigio, apaixonados pela produção de vinhos de grande qualidade. É propriedade do Grupo Miralagos que adquiriu em 2004 uma área de terreno com o objectivo de plantar uma vinha, cujos terrenos outrora (durante o período da 2ª Gerra Mundial) haviam produzido vinha e também linho. O armo é um artefacto que compõe a roca, objecto este que servia para tecer o linho pelos artesãos.

Quinta Vale do Armo - Vila Jardim Branco Regional 2010

Eis uma deliciosa surpresa ! Um vinho sedutor em que a ligação do Syria com o Arinto resulta num branco fantástico de se beber, com um óptimo corpo, delicioso e fino, que enche a boca. De aspecto cristalino e cor citrina brilhante, tem um aroma muito delicado, temperado muito pela tangerina e pelo pêssego, ainda com um certo apelo floral. Depois apresenta uma boa acidez, um elevado requinte e persistência. Final de bom comprimento, limonado e persistente. (13%). O seu preço na loja anda à volta dos 4 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 93 pontos.

Quinta Vale do Armo - Vila Jardim Tinto 2009

Feito com Trincadeira, Merlot, Aragonês e Syrah, tem aroma intenso e profundo, fumado, de fruta preta madura compotada. Compacto na boca, com bons taninos, de final acetinado, apimentado e longo, muito boa acidez a conferir frescura e muito equilíbrio. Outra belíssima surpresa. (14%) O seu preço na loja anda à volta dos 5 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Quinta Vale do Armo - Vila Jardim Tinto Escolha 2008

Eis um tinto ambicioso, de grande qualidade, cor granada intensa, que no inicio da prova parece não querer mostrar todo o seu potencial. Encorpado, com madeira imponente, fruta preta (ameixas pretas, amoras e cerejas), café, algumas especiarias, chocolate intenso envolvente, tem uma boca com um bom volume, cheia de garra, algo complexo, com taninos vivos, final de bom comprimento. (14%). O seu preço na loja anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 90 pontos.

Quinta Vale do Armo - Espumante Bruto 2009


Vinho de cor amarelo brilhante, com fruta de polpa branca e frutos tropicais, bolha persistente, com uma mousse elegante, boa estrutura e acidez que lhe dá muita frescura e longevidade. Final de boca fresco, elegante e agradável. O seu preço na loja anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 91 pontos.

Casa de Mouraz

No passado sábado, tive a oportunidade de visitar a Casa de Mouraz, localizada em Mouraz, concelho de Tondela, pioneira na prática de agricultura biológica na região demarcada do Dão, uma das mais importantes e prestigiadas denominações de origem portuguesas. As castas predominantes são Tinta Roriz, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Água Santa e Jaen nos tintos e Malvasia Fina, Bical, Cerceal-Branco e Encruzado nos brancos. Este projecto pioneiro na produção de vinhos de quinta de forma ecológica, da responsabilidade do grande António Ribeiro e da sua mulher, Sara Dionísio, tem como intuito a criação de vinhos autênticos e personalizados, que respeitem e exprimam toda a riqueza do seu terroir. Dos vários vinhos provados, o destaque vai para dois grandes vinhos que prometem dar que falar.

Casa de Mouraz, Private Selection 2009

Elaborado com as castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz, Jaen e com a quase desconhecida Água Santa, provenientes de vinhas velhas cultivadas de forma ecológica, no absoluto respeito pelo seu terroir de origem, este vinho estagiou durante 8 meses em barricas de carvalho Nevers. De cor violácea brilhante, distinto nos aromas, com notas florais notáveis, fruta preta madura, apimentado, chocolate negro e distinto como poucos no Dão, barrica perfeitamente integrada, grande carácter, de taninos polidos, com excelente acidez e grande personalidade.A minha classificação pessoal fixa-se nos 93 pontos.

Casa de Mouraz Air Vinho Verde 2010


Eis um vinho que vai dar muito que falar meus caros ! É daqueles verdes que se revelam através de uma empatia imediata. De brilho cristalino e aroma rico, este AIR Verde, tem nariz mineral, pautado por uma surpreendente sensação de frescura e tropicalidade, onde se libertam notas de limão, ananás, alperce e alguma flor de laranjeira. Depois está muito bem estruturado, tendo um final longo, expressivo e memorável. A minha classificação pessoal fixa-se nos 91 pontos.

Herdade dos Cadouços - Memorium Natur Reserva de 2007

Ora aqui está um belo tinto ribatejano. Cheio de frescura, elegância, taninos firmes e poderosos, com aroma a framboesa e frutos silvestres, tem ainda um final longo e algo apimentado. É o único vinho da Herdade que conheço, também pelo facto de ser impossível ali realizar uma prova, ao que parece. Depois de variadíssimas tentativas, com respostas sempre negativas, confesso que desisti. Talvez aquele prémio obtido no "The Wine Inovation Awards", onde foi considerado um dos seis "melhores e mais inovadores projectos” para a categoria "Cellar Door Operation", tenha alguma coisa a ver com isso. A minha classificação pessoal fixa-se nos 90 pontos.

Quinta do Mouro - Rótulo Dourado de 2006

Ora aqui está um enorme vinho ! Pujante, harmonioso, equilibrado, elegante, fantástico, intenso, provocador e desmedidamente potente ! Feito a partir de Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, este Rótulo Dourado estagiou entre 18 a 24 meses em barricas novas de Carvalho Francês, tem uma cor granada, um aroma poderoso a pimenta preta e muito chocolate, com alguma menta, uma fantástica acidez e um final estonteantemente louco. Um tinto alentejano único, de classe mundial ! A minha classificação pessoal fixa-se nos 98 pontos.

Gravato 2006 - Touriga Nacional

Este Touriga Nacional de 2006, estagiou em cubas de inox com aduelas durante 1 ano e mais 15 meses em garrafa. De cor intensa vermelha e com alguns laivos de violeta, este Gravato é um vinho fantásticamente agradável, mesmo aparentando uma "enganosa juventude", com um nariz a levar para o aroma a pimenta branca, nougat, baunilha e frutos vermelhos maduros (bagas silvestres, mirtilos e ameixas pretas). Depois é redondo, carnudo e gordinho como poucos, tem uma boa acidez e um final poderoso e longo. A minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

Visita à Adega de Luis Pato e Filipa Pato

De visita à Adega de Luis Pato e Filipa Pato, situada em Amoreira da Gândara, no concelho de Anadia, dois grandes nomes da região da Bairrada, o destaque para dois grandes vinhos provados: o Nossa Branco 2009 e o Abafado Molecular Rosé.

Nossa Branco de 2009

Este Nossa é de facto, um grande branco, sem qualquer maquilhagem. Resultante de um projecto a dois, entre Filipa Pato e o seu marido William, tem cor amarela pouco intensa, um nariz tipicamente bairradino, depois é cheio de corpo, rico e complexo, com aromas a avelã com muita fruta, frescura intensa um fundo mineral portentoso. O seu preço anda à volta dos 22 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Abafado Molecular Rosé de 2009

Este é um daqueles néctares dos deuses, austero e fadado para o sucesso, um vinho doce, melado, com tanto de clássico como de experimentalista. Neste caso as uvas são colhidas na época normal, mas o mosto não completa a fermentação, uma vez que esta é interrompida quando se atinge o volume de álcool pretendido, com a congelação do mosto. Feito com Baga, tem um aroma excitantemente fresco, com notas a pêra, alguns frutos vermelhos, com uma acidez bem equilibrada e perfeito para sobremesas. O seu preço anda à volta dos 13 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 94 pontos.

Visita à Quinta das Bageiras


A Quinta das Bágeiras foi fundada em 1989 pelo Mário Sérgio, que reuniu as vinhas de várias gerações da sua família, fazendo um total de 12 hectares. Logo nesse ano, os primeiros vinhos ganharam alguns prémios a nível nacional e em 2004 foi eleito o Agricultor do Ano em Portugal. Nesta minha visita fui super bem recebido pelo senhor Bernardo, sendo que mais tarde se juntou a nós o próprio Mário Sérgio, um grande defensor tão mal-amada Baga e um brilhante produtor. Dos vários vinhos fantásticos provados, o destaque vai para um par de excelência a meu ver: o Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto 2004 e o Quinta das Bágeiras Garrafeira Branco 2009.

Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto 2004

Um grande tinto austero e expressivo, com muito boa cor e uma forte presença aromárica. Nariz cheio de notas fumadas, cereja, bagas silvestre bem maduras, com taninos elegantemente frescos, carnudos e finos, é um tinto vigoroso e impressionantemente cheio de raça. O seu preço anda à volta dos 19 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 94 pontos.

Quinta das Bágeiras Garrafeira Branco 2009

Amarelo palha intenso na cor. Um nariz portentoso com notas de limão, ananás e marmelo, cheio de riqueza mineral, revela-se na boca uma intensa frescura. Envolvente, austero, cremoso, encorpado, complexo mas com muito carácter, tem uma acidez vibrante com um final fresco e longo. Pelo preço (11 euros) não provei melhor em Portugal.No fundo, um daqueles paradigmas de elegância e corpo, que se bebe tão só por puro prazer e que vai aguentar decerto mais um porradão de anos. A minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

Visita à Herdade dos Templários

Recentemente tive a oportunidade de me deslocar à Herdade dos Templários, em plena Quinta do Cavalinho, por forma a provar os novos vinhos lançados sob a marca “Templários”, de 2009/2010 e mais uma ou duas fantásticas surpresas. Tendo como cicerone o Saul Gonçalves, o responsável pelo marketing da empresa, fiquei verdadeiramente impressionado com quatro dos vinhos que tive oportunidade de provar. A saber: o Tinto Touriga Nacional/Syrah de 2009, o Rosé Touriga Nacional de 2010, o Herdade dos Templários Grande Escolha Tinto de 2005 e o misterioroso mas não menos fabulástico "vinho licoroso" que será lançado dentro de alguns meses, ainda sem nome definido. Em suma, grandes vinhos "made in Tomar", resultantes do trabalho árduo e sério de uma experiente equipa técnica liderada pelo enólogo Leonel Cruz, resultantes da perfeita conjugação entre a tradição, a tecnologia e know-how, aliados ainda a uma rigorosa selecção de castas e à poderosa arte do saber vinificar. Que não existam quaisquer dúvidas que estamos perante grandes vinhos portugueses, reconhecidos em concursos nacionais e internacionais por variadíssimas vezes.

Começando pelo Touriga Nacional/Syrah de 2009, posso dizer que se agora estamos perante um grande tinto, que vai dar muito que falar nos próximos tempos, o que se poderá dizer dentro de uns dois a três aninhos (isto se ainda existirem algumas das sete mil garrafas produzidas) ?! De cor escura, sem ser opaca, com nuances granada, um aroma interessante com boa intensidade, que revela notas florais, muita fruta escura (groselha, ameixa e cerejas), especiaria, chocolate, tabaco, esteva e algum balsâmico, uma interessantíssima boca, com uma bela acidez, vivacidade, taninos de qualidade e um corpo portentoso. Final longo, equilibrado e seco, com alguma complexidade e persistência. Em suma meus caros amigos, este blend, de partes iguais Syrah e Tourgina Nacional, é um verdadeiro luxo ribatejano. A minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Passando para o Rosé Touriga Nacional de 2010, bastaria dizer que é tão só um dos melhores rosés que alguma vez provei na vida. É fantástico pela cor framboesa, um vinho cheio de brilho, com aromas vigorosamente frutados e fortes a groselha e framboesas. Na boca revela-se depois supreendentemente macio, fresco, estruturado, sedoso, com uma leve secura e um final bem marcante. Em suma, é a Touriga Nacional em todo o seu esplendor rosado. A minha classificação pessoal fixa-se nos 94 pontos.

Passando agora para o Herdade dos Templários Grande Escolha de 2005, feito a partir das castas Aragonês (60%), Castelão (20%) e Alicante Bouschet (20%), envelheceu durante durante pelo menos seis meses em Carvalho Americano e Francês. Um vinho de cor granada com intensos tons acastanhados, cheio, limpido e suave, com nuances a frutos silvestres (ameixa preta), frutos secos, couro, grãos torrados e especiarias. Na boca revela um sabor equilibrado, correcto e frutado, taninos suaves e aveludados, com um final longo e um tudo nada seco mantendo sempre uma brilhante harmonia. Em suma, um grandioso néctar (pena só restarem pouco menos de duas centenas de garrafas).A minha classificação pessoal fixa-se nos 93 pontos.

Falando agora da cereja no topo do bolo, no final da prova, fui fantásticamente surpreendido por um vinho licoroso verdadeiramente impressionante. Portentoso a todos os níveis. Com fumados muito suaves, de corpo leve e doce, muito elegante na boca, cheio de frescura, sofisticação e complexidade, com um final melado, acredito que vai dar muito que falar, um pouco por todo o Mundo, nos próximos tempos ! A minha classificação pessoal fixa-se nos 96 pontos.

Quinta do Sanguinhal Arogonês de 2006

Eis um interessante vinho da Companhia Agrícola do Sanguinhal, produtor de vinhos na Região Demarcada de Óbidos, desde final do séc. XIX. Este Sanguinhal Aragonez 2006 foi premiado no "14th Berlin Weine Trophy" 2010. Conhecida por Tinta Roriz nas regiões do Douro e do Dão, esta casta, é uma das poucas castas que Portugal e Espanha possuem em comum (no país vizinho usam-se as denominações tempranillo, cencibel, ull de llebre na Catalunha, tinta de toro em Toro, tinta del pais e tinto fino em Ribera del Duero e tinta de Madrid). No entanto, e apesar de ser uma casta muito produtiva, vigorosa e proveitosa, é também uma variedade de uva capaz do melhor e do pior, onde a correlação negativa entre a quantidade e a qualidade mais se acentua quando se ultrapassam rendimentos elevados, acima das 8 toneladas por hectare. De cor granada média, o aroma de fruta vermelha (ameixa preta), café, alguma compota, especiarias e outras notas da madeira, é notório e nota-se ainda algum vegetal. A boca tem envergadura média, textura vibrante, com taninos redondos, sendo que a boa acidez segura o vinho até ao final texturado e longo. O seu preço anda perto dos 6 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 87 pontos.

Vista à Herdade do Perdigão


Ora e continuando pelo Alto Alentejo, desta feita realizei uma visita à Herdade do Perdigão, a poucos quilómetros de Monforte, na estreita estrada municipal que une Monforte a Arronches e que contou com a técnica de marketing da empresa, Sandra Chaves, como cicerone. Estas vinhas foram pertença original de Alfredo Saramago, vendidas posteriormente a João Lourenço (actualmente o proprietário das Altas Quintas) e mais tarde adquirida por Carlos Gonçalves. Falamos de cerca de 60 hectares, 25 hectares das quais de vinhas já maduras. O enólogo residente é David Patrício e são produzidos cerca de meio milhão de litros de vinho. Deste brancos, tintos, rosés e até um espumante, os vinhos feitos nesta quinta são acima de tudo sérios e austeros. Dois destaques, o Vinha do Almo Special Edition de 2007 e o Herdade do Perdigão Reserva Branco de 2007. O primeiro, de cor violeta escura, feito a partir de 50% Touriga Nacional, 25% Alicante e 25% Cabernet Sauvignon, é um vinho maravilhoso, de nariz intenso e profundo, balsâmico, frutado e bastante fresco. Depois predomina a fruta negra e a compota, alguma especiaria, nozes, madeira presente e muito bem casada, encorpado qb, intenso e com final de boca longo. A minha classificação pessoal fixa-se nos 94 pontos. O segundo, um poderoso monocasta Antão Vaz, cheio de mineral, de cor dourada, super-elegante, no nariz revela muita fruta de polpa branca, é gordinho, tem estrutura, revela equilíbrio e elegância no final da prova. A minha classificação pessoal fixa-se nos 88 pontos.

Visita ás Altas Quintas


Esta manhã tive a oportunidade de visitar a propriedade das Altas Quintas, que possui uma área total de 256 hectares, e que se estendem paralelas a uma altitude que varia entre os 496 e os 770 metros, no interior do Parque Natural da Serra de S. Mamede, bem perto de Portalegre. Além dos 48 hectares de vinha, existem mais 80 hectares de pinheiros, 50 de sobreiros, 50 de cerejeiras e 8 de olival. O cicerone foi o Eng. Luis Bispo e tive a felicidade de provar grandes vinhos. O enólogo residente é o Paulo Laureano, considerado o enólogo do ano em 2004. Dois destaques. Primeiro para o Altas Quintas Reserva 2005 (Tinto), feito a partir de Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet, de cor granada de grande intensidade, com grande complexidade, de aromas elegantes, sugestões de ameixa e framboesa, cacau, compota, tabaco, chocolate preto e baunilha, de taninos redondos, suavidade de estilo, é um vinho super elegante com um final de boca de persistência alta. A minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos. Depois o Altas Quintas Crescendo 2007 (Tinto), feito a partir das castas Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, que fermentou em balseiros e estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês, que apresenta frescura, aromas a ameixas maduras e especiarias, mostrando um interessante equilibrio, com profundidade, bastante irreverência e uma longa persistência.A minha classificação pessoal fixa-se nos 88 pontos.

PS: Lembram-se do fantástico Obsessão de 2004,
o expoente máximo das Altas Quintas, esse néctar fantático, tendo então apenas disponíveis
3350 garrafas numeradas que reflectiam a obsessão da marca pela excelência dos seus vinhos? Pois bem, preparem-se para o lançamento, ainda este ano, do seu sucessor. Apenas e só, um dos melhores vinhos alentejanos de sempre, cujo nome ainda não posso revelar ...