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Pinhal da Torre

No passado dia 19 de Novembro, uma vez mais a convite do produtor Paulo Saturnino Cunha, voltei a ter o prazer de fazer parte do grupo que visitou as instalações da Pinhal da Torre (que conta com a Quinta de São João de 22 hectares e a Quinta do Alqueve de mais 36)e onde se produzem vinhos desde 1947. Depois de uma visita guiada pelo próprio Paulo Saturnino Cunha começámos as provas, sempre com a ajuda do enólogo consultor, o australiano Russell Burns. No final da prova, deu-se início ao repasto gastronómico constituído por uma saboroso porco no espeto acompanhado pelos vinhos da Pinhal da Torre. De todos os vinhos provados (e foram muitos mesmo), destaco duas enormes surpresas de 2009. Em primeiro lugar o Quinta de São João - Syrah e o Special.

É um Syrah pujante este ! Mais um vinho enorme do Paulo Saturnino. Aroma cativante cheio de intensidade com caramelo, baunilha, canela, cereja, algum tabaco e elementos tostados a dissolverem-se por entre o fruto preto e as nuances florais. No palato é elegante e equilibrado, com taninos firmes, cheios de qualidade. Um vinho feito num "estilo australiano", muito guloso, com excelente na acidez, um final redondo e longo, onde tenho a certeza que com o passar dos anos em garrafa ainda irá melhorar. A minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

Special: Que vinho dos deuses ! Feito de  Syrah, Touriga Nacional e Merlot, estamos perante um vinho único, cheio de qualidade, vigor, finesse, harmonia, elegância e frescura, muito bem estruturado. De cor rubi intenso com reflexos violáceos que chamam a atenção, este vinhão possui aromas intensos a frutas vermelhas, uma boca leve, muito frutada e macia.Sem sombra de qualquer dúvida, o segundo melhor vinho desta casa, depois do memorável IPO. A minha classificação pessoal fixa-se nos 97 pontos.

Vista à Herdade do Perdigão


Ora e continuando pelo Alto Alentejo, desta feita realizei uma visita à Herdade do Perdigão, a poucos quilómetros de Monforte, na estreita estrada municipal que une Monforte a Arronches e que contou com a técnica de marketing da empresa, Sandra Chaves, como cicerone. Estas vinhas foram pertença original de Alfredo Saramago, vendidas posteriormente a João Lourenço (actualmente o proprietário das Altas Quintas) e mais tarde adquirida por Carlos Gonçalves. Falamos de cerca de 60 hectares, 25 hectares das quais de vinhas já maduras. O enólogo residente é David Patrício e são produzidos cerca de meio milhão de litros de vinho. Deste brancos, tintos, rosés e até um espumante, os vinhos feitos nesta quinta são acima de tudo sérios e austeros. Dois destaques, o Vinha do Almo Special Edition de 2007 e o Herdade do Perdigão Reserva Branco de 2007. O primeiro, de cor violeta escura, feito a partir de 50% Touriga Nacional, 25% Alicante e 25% Cabernet Sauvignon, é um vinho maravilhoso, de nariz intenso e profundo, balsâmico, frutado e bastante fresco. Depois predomina a fruta negra e a compota, alguma especiaria, nozes, madeira presente e muito bem casada, encorpado qb, intenso e com final de boca longo. A minha classificação pessoal fixa-se nos 94 pontos. O segundo, um poderoso monocasta Antão Vaz, cheio de mineral, de cor dourada, super-elegante, no nariz revela muita fruta de polpa branca, é gordinho, tem estrutura, revela equilíbrio e elegância no final da prova. A minha classificação pessoal fixa-se nos 88 pontos.